Ator há 29 anos na Paixão de Cristo vive cinco personagens, incluindo vilões, e relata reação do público: 'Ficam com raiva de mim'
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Wagnner Sales vive 5 personagens na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
Dar vida a um personagem em um espetáculo aberto ao público é um trabalho que exige seriedade, empenho e muita paixão pelo que se faz. No Espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém 2026, o ator e jornalista Wagnner Sales vai além: ele interpreta cinco personagens diferentes.
Na 57º edição do Espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, que faz uma homenagem ao centenário de Plínio Pacheco, o idealizador da cidade-teatro, Wagnner Sales vive os seguintes personagens: Demônio na tentação de Cristo, Vendilhão no templo, Príncipe no Sinédrio, Príncipe no Bacanal de Herodes e Executor de Cristo.
Em entrevista ao g1, o artista, que vive personagens antagônicos a Jesus Cristo, contou sobre as reações do público ao longo do espetáculo, que passam por emoções como raiva e tristeza.
“Eu acho que a grande emoção [que provoco no público] é a raiva que as pessoas ficam de mim. Elas sempre falam ‘olha, eu gosto de você. Mas não gosto do seu personagem! A vontade é subir lá e bater em você’. Já aconteceu situações em que uma senhora entrou e me beliscou porque eu estava batendo em Cristo. A gente cria essa emoção com a plateia e entende que, se não tem frio na barriga, se não tem medo da estreia, o medo de começar a peça, você morreu. Não faça mais teatro”, revelou.
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Mapa do teatro da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
Divulgação
Ao longo das cerca de três horas de encenação, ele realiza trocas de figurino entre as cenas e participa ativamente do começo ao fim do espetáculo, acumulando 29 anos de experiência no evento.
"No início, eu faço um dos Demônios da primeira tentação de Cristo. Logo depois eu tenho que atravessar todo o cenário para poder trocar de roupa. Eu sou um Vendilhão no templo, aí no mesmo cenário, eu troco de roupa e viro um Príncipe no Sinédrio também, são duas trocas no mesmo momento. Daí eu tenho um descanso da Ceia e do Horto, troco de roupa para o Bacanal de Herodes, depois eu faço o Executor de Cristo", contou.
Para viver o intenso espetáculo, ele destacou a importância do preparo físico e mental. “A gente tem que treinar muito, tem que ter muito exercício, principalmente perna pra manter sempre ávido e firme, para poder chegar a tempo e fazer com que as coisas aconteçam. Claro que tem todo o apoio, tem as camareiras, tem o pessoal da produção que tá sempre com a gente lá”, afirmou.
Além disso, Wagnner destacou que é preciso alinhar corpo e mente para que o resultado seja a altura das expectativas do público. “Eu acho que a preparação é emocional e física. O corpo não pode estar longe da mente”.
Com uma trajetória marcada pelo multiprofissionalismo, Wagnner ainda revelou que passou por uma verdadeira transformação depois que começou a atuar com o espetáculo. Entre as principais, a forma de lidar com multidões.
“Multidão pra mim é muito tranquilo, eu não travo mais. Eu fiz um curso forçado quando eu vi pela primeira vez todo mundo. Então hoje lidar com o público é muito tranquilo, eu aprendi a fazer isso, na prática. O meu trabalho de ator começou antes de ser jornalista, eu sou ator desde os cinco anos de idade. Poder conversar, poder gesticular, saber não ser tão e às vezes ser muito, eu acho que a gente consegue ser mais natural”, disse.
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus
Larissa Juliana/g1 Caruaru