Laudo aponta excesso de velocidade e falhas na sinalização em acidente de ônibus com 17 mortos na BR-423

  • 04/05/2026
(Foto: Reprodução)
Laudo da PRF explica causas do acidente com 17 mortos na BR-423, em PE Um laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu que o excesso de velocidade foi a principal causa do acidente com um ônibus que deixou 17 mortos, em outubro de 2025, na BR-423, na Serra dos Ventos, em Saloá, no Agreste de Pernambuco. O documento aponta que o veículo trafegava a cerca de 90 km/h em um trecho de descida com curva acentuada, onde a velocidade segura seria de, no máximo, 60 km/h, o que tornou impossível manter o controle da direção. Além da velocidade incompatível com a via, o laudo também identificou fatores que contribuíram para o sinistro, como falhas na sinalização da rodovia e possível fadiga do motorista. O documento, ao qual o g1 teve acesso, foi elaborado a partir de análises técnicas no local, dados do tacógrafo e inspeção no veículo. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp Segundo o chefe de Policiamento e Fiscalização da PRF em Garanhuns, Luciano Holanda, o excesso de velocidade foi determinante para o acidente, mas as circunstâncias que levaram o motorista a dirigir acima do limite ainda não foram esclarecidas. “O excesso de velocidade foi sim o fator preponderante para ocorrência. Porém, as razões pelas quais o condutor empregava a velocidade acima do limite não são conhecidas pela PRF. Esse documento não tem o objetivo de identificar os culpados e sim as causas do acidente. Após a conclusão da investigação da Polícia Civil, serão dadas as medidas necessárias”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Motorista relata à polícia falha nos freios em acidente com ônibus que deixou 17 mortos Lula lamenta acidente de ônibus que deixou pelo menos 17 mortos no interior de Pernambuco Veja como ficou ônibus após acidente que deixou 17 mortos na BR-423 Sinalização inadequada De acordo com a perícia administrativa, a ausência de sinalização adequada no trecho rural da rodovia foi também um dos principais problemas identificados. A única placa de limite de velocidade existente estava localizada em área urbana e não tinha validade para o ponto onde ocorreu o acidente. Além disso, a marcação no asfalto indicando 50 km/h estava desgastada, o que dificultava a visualização, principalmente durante a noite. Os peritos também apontaram que o trecho da Serra dos Ventos exige atenção redobrada dos motoristas por conta da descida íngreme e das curvas sinuosas. Apesar disso, não havia sinalização suficiente alertando sobre os riscos, como placas de curva acentuada ou de sinuosidade da pista. No que diz respeito ao veículo, não foram encontrados indícios de falha no sistema de freios durante a análise visual realizada pela equipe. A conclusão definitiva sobre essa parte ainda depende do laudo do Instituto de Criminalística de Pernambuco. Possível cansaço do motorista Já em relação ao fator humano, o laudo indica que o motorista dirigia há mais de quatro horas sem realizar a pausa obrigatória de 30 minutos, o que pode ter contribuído para fadiga. Segundo os especialistas da PRF, o cansaço reduz a capacidade de reação e aumenta o risco de acidentes, especialmente em trechos críticos. "Embora o tempo excedido tenha sido relativamente curto, ressalta-se a importância do intervalo de descanso, especialmente em viagens longas, nas quais a fadiga pode comprometer significativamente a capacidade de reação, a atenção e o julgamento do condutor, aumentando o risco de ocorrência de sinistros", disse o documento. Falta de cintos de segurança Ônibus envolvido em acidente em que deixou mortos na BR-423, entre Paranatama e Saloá Reprodução/WhatsApp Outro ponto destacado foi a não utilização de cintos de segurança pelos passageiros. Apesar de o ônibus estar equipado com o dispositivo, a maioria dos cintos estava embutida nos bancos e não houve orientação sobre o uso. Isso contribuiu para a gravidade das lesões, já que vários ocupantes foram arremessados dentro e para fora do veículo. "Observou-se que grande parte desses dispositivos encontrava-se embutida sob o estofamento dos assentos, evidenciando que não estavam sendo utilizados pelos passageiros no momento do sinistro", disse o laudo. A perícia administrativa da PRF tem como objetivo identificar causas e propor medidas preventivas, não substituindo a investigação criminal conduzida pelos institutos oficiais. O acidente Ônibus ficou destruído após acidente que deixou 17 mortos na BR-423 O acidente aconteceu no dia 17 de outubro de 2025, por volta das 19h40, no km 127 da BR-423, na zona rural de Saloá, no Agreste de Pernambuco. O ônibus havia sido fretado por uma empresa de Brumado, na Bahia, e transportava passageiros que tinham ido fazer compras no Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe. Na volta, o veículo seguia pela Serra dos Ventos, um trecho conhecido pelas curvas e pela pouca iluminação, quando saiu da pista. Segundo a PRF, o ônibus entrou na contramão e atingiu rochas às margens da rodovia. Em seguida, o motorista conseguiu retornar à pista, mas colidiu com um barranco de areia e o veículo tombou. De acordo com as autoridades, havia pelo menos 40 pessoas no ônibus, número superior ao registrado no contrato de fretamento. A suspeita é de que passageiros tenham embarcado ao longo do trajeto. Cinco pessoas foram arremessadas do veículo antes mesmo do tombamento. Ao todo, 17 pessoas morreram. Os dois motoristas que se revezavam na condução sobreviveram. Infográfico - acidente na BR-423 em Saloá, no Agreste de Pernambuco Dhara Pereira/g1

FONTE: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2026/05/04/laudo-aponta-excesso-de-velocidade-e-falhas-na-sinalizacao-em-acidente-de-onibus-com-17-mortos-na-br-423.ghtml


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