MPPE recorre da decisão da Justiça que absolveu padre Airton Freire de acusação de estupro contra personal stylist
14/04/2026
(Foto: Reprodução) Ministério Público entrou com recurso contra absolvição do padre Airton Freire
Reprodução/TV Globo
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) protocolou, nesta segunda-feira (13), um recurso de apelação contra a absolvição do padre Airton Freire no processo em que ele era acusado de estupro pela personal stylist Silvia Tavares de Souza. A medida busca reformar a sentença proferida pela Vara Única da Comarca de Buíque, que considerou não haver provas suficientes para condenação.
Com o recurso, o caso será reavaliado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), responsável por julgar o mérito em segunda instância. O MPPE informou que, devido ao sigilo do processo, não irá comentar detalhes sobre as provas ou sobre a decisão do juiz de primeiro grau.
A absolvição do padre foi determinada no dia 30 de março pelo juiz Felipe Marinho dos Santos. Na decisão, ele apontou que as provas periciais reunidas durante a investigação contradizem a versão apresentada pela denunciante, o que inviabilizaria a comprovação do crime.
No final de março de 2026, a Justiça absolveu Padre Airton por falta de provas
Além do sacerdote, também foi absolvido o motorista Jailson Leonardo da Silva, que havia sido apontado como participante do suposto ato de violência sexual. Os dois estavam presos desde 2023, quando o caso veio à tona. Com a sentença, a prisão preventiva do padre foi revogada.
De acordo com a defesa de Airton Freire, a decisão se baseou em elementos técnicos produzidos ao longo da investigação, incluindo análises da Polícia Civil e do próprio Ministério Público. Em nota, a advogada Mariana Carvalho afirmou que os dados periciais indicaram inconsistências entre os relatos apresentados por Silvia Tavares nos autos e declarações públicas.
O padre estava em prisão domiciliar desde julho de 2023. A defesa destacou que a sentença reconheceu a ausência de provas que sustentassem a acusação, embora detalhes não tenham sido divulgados por conta do segredo de Justiça.
O MPPE, por sua vez, afirmou que a apelação é o instrumento jurídico adequado para rediscutir o mérito da decisão. Segundo o órgão, o recurso também permite a análise do caso à luz de tratados internacionais de proteção às mulheres, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher.
Esses tratados fundamentam o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero, previsto em resolução do Conselho Nacional de Justiça. O Ministério Público também alertou para a importância de evitar a revitimização e julgamentos morais enquanto o processo segue em tramitação.
A defesa de Silvia Tavares informou que também irá recorrer da decisão judicial.
Acusação de crime sexual
Sílvia Tavares acusou o padre Airton e o motorista dele, Jailson Leonardo, de estupro
A denúncia foi feita por Silvia Tavares, que afirmou ter sido vítima de estupro em agosto de 2022. Segundo o relato, o crime teria sido cometido pelo motorista a mando do sacerdote. O padre negou as acusações.
A mulher afirmou que mantinha uma relação próxima com o religioso, a quem chamava de “padinho”, e que frequentava retiros espirituais organizados por ele desde 2019, em uma fazenda localizada em Arcoverde, no Sertão do estado. Ela relatou ter participado de diversos encontros religiosos antes do episódio denunciado.
Em maio de 2023, Silvia procurou o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no Recife, para cobrar a conclusão das investigações. O caso ganhou repercussão à época e passou a ser acompanhado pelas autoridades estaduais.
Procurado pelo g1, o Tribunal de Justiça de Pernambuco não se pronunciou a respeito da decisão e informou que o processo segue em segredo de justiça, com base no Artigo 234-B do Código Penal Brasileiro “os processos e procedimentos que tratam de crimes contra a dignidade sexual, bem como os que envolvem menores de idade, tramitam em segredo de justiça, com o objetivo de preservar a intimidade da vítima.”
Cronologia de como teria acontecido o crime, segundo Silvia Tavares:
Em 17 de agosto de 2022, padre Airton mandou um áudio para Sílvia, pedindo que ela fosse à “casinha” às 6h30 do dia seguinte.
O motorista Jailson levou a mulher para o local, onde o padre estava deitado de bruços, coberto com um lençol de seda.
Ele pediu uma massagem e, mesmo estranhando o pedido, a mulher fez, mas se assustou ao perceber que, sob o lençol, ele estava sem cueca. Ela, então, saiu da cama.
Em seguida, Jailson se aproximou da mulher com uma faca e a ameaçou. Enquanto se masturbava, o padre ordenou que ele a estuprasse.
Com o próprio celular, o padre tirou fotos da mulher e de Jailson nus, juntos. Depois, mandou que eles tomassem banho e acariciou os órgãos genitais do motorista.