Raquel Lyra diz que 'venceu aqui o trabalho, a entrega e a verdade', no primeiro discurso após vitória
04/10/2026
(Foto: Reprodução) Raquel Lyra (PSD) após ser reeleita governadora de Pernambuco
Yacy Ribeiro/Divulgação
Em seu primeiro discurso após a vitória, a governadora Raquel Lyra (PSD), reeleita em primeiro turno, agradeceu aos pernambucanos pela votação e disse que "venceu aqui o trabalho, a entrega e a verdade. A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa num hotel na Zona Sul do Recife.
Ela teve 53,27% dos votos válidos, o que equivale a 2.805.438 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vice-governadora reeleita é Priscila Krause (PSD).
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"Venceu aqui o trabalho, a entrega e a verdade. A gente sempre fez política no chão, olhando olho no olho das pessoas, onde quer que a gente estivesse, nos sertões, nos agrestes, na Zona da Mata e na Região Metropolitana do Recife. E é com essa gratidão do povo de Pernambuco que eu digo que eu vou retribuir toda a confiança que nos foi dada com ainda mais trabalho e mais entrega e cuidado", declarou.
Raquel Lyra celebrou a vitória com aliados e familares e falou com a imprensa em um hotel no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Ela estava acompanhada da vice-governadora reeleita Priscila Krause (PSD); do pai, o ex-governador João Lyra Neto (PSD); e também do deputado federal Túlio Gadelha (PSD), candidato ao Senado, que não foi eleito.
A governadora reeleita afirmou que recebeu uma ligação de João Campos (PSB), seu principal adversário na disputa, que a parabenizou pela vitória nas urnas. Após a coletiva de imprensa, a governadora foi ao Marco Zero do Recife, onde comemorou com apoiadores a reeleição.
Raquel Lyra (PSD) é reeleita governadora de Pernambuco
Ao longo da disputa, Raquel Lyra manteve neutralidade na disputa para a Presidência da República. Mesmo mantendo o posicionamento, ela agradeceu ao presidente Lula (PT), que apoiou João Campos na disputa estadual. A governadora afirmou que fazia dez anos "que o governo do estado estava brigado com o governo federal".
"Tenho que expressar a minha gratidão ao presidente Lula por ter nos ajudado a trazer recursos. Fizemos parcerias importantes no nosso estado e é importante ressaltar isso. [...] Sempre disse que ser 'pernambuquista' é colocar Pernambuco em primeiro lugar, independentemente de qualquer circunstância. Foi isso que a gente fez ao longo de todo nosso primeiro mandato. Manterei minha coerência, mas isso não tira a minha gratidão ao presidente Lula, que nos ajudou a chegar até aqui. Que abriu as portas do seu governo e dos seus ministros", disse.
Perfil da governadora reeleita
Ex-prefeita de Caruaru, no Agreste, Raquel Teixeira Lyra Lucena, de 47 anos, é advogada e política. Nasceu no Recife e é filha do ex-governador João Lyra Neto, que assumiu o governo em 2014, após a renúncia de Eduardo Campos (PSB), que morreu durante a campanha à Presidência. A governadora é a única das três filhas de João Lyra Neto e Mércia Lyra a entrar na política.
Viúva, Raquel Lyra perdeu seu marido, o empresário Fernando Lucena, no dia das eleições de primeiro turno de 2022, quando era candidata a governadora. Ele teve um mal súbito e chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O casal teve dois filhos, João e Fernando, que têm 16 e 14 anos.
Raquel Lyra é formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Já trabalhou como advogada do Banco do Nordeste e, em 2002, assumiu o cargo concursado de delegada da Polícia Federal, onde permaneceu até 2005.
Ela renunciou após passar no concurso para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), cargo que ocupa atualmente, mas do qual está licenciada há quase 20 anos. Durante a gestão de Eduardo Campos, Raquel Lyra foi chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo, entre 2007 e 2010.
Foi eleita deputada estadual em 2010, pelo PSB, mas licenciou-se para assumir a Secretaria da Criança e da Juventude no segundo mandato de Eduardo Campos. Em 2014, foi reeleita deputada estadual com a terceira maior votação do estado.
Na Assembleia Legislativa, presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente e membra titular da Comissão de Negócios Municipais e suplente da Comissão de Ética.
Saiu do PSB em março de 2016, para se candidatar à prefeitura de Caruaru, no Agreste, pelo PSDB. Foi eleita em segundo turno, com 93.803, o que corresponde a 53,15% dos votos válidos, e se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na cidade. Em 2020, foi reeleita em primeiro turno, com 114.466 votos, ou 66,86% dos votos válidos.
Em 2022, deixou a prefeitura para disputar o governo de Pernambuco. Terminou o primeiro turno na segunda colocação e, no segundo turno, derrotou Marília Arraes (então no Solidariedade), tornando-se a primeira mulher eleita governadora do estado.
Em março de 2025, ela deixou o PSDB e filiou-se ao PSD, legenda pela qual venceu a reeleição.
A disputa
A eleição para o governo de Pernambuco em 2026 foi marcada pela polarização entre Raquel Lyra e João Campos, que concentraram quase todos os votos nas pesquisas desde o início da disputa. Filhos de ex-governadores, os dois protagonizaram uma campanha baseada na comparação entre suas gestões e em temas como segurança, saúde, obras, infraestrutura e políticas sociais.
A campanha também foi marcada por troca de acusações. João Campos foi questionado pelo caso da alteração no resultado de um concurso da Prefeitura do Recife, enquanto Raquel Lyra foi alvo de críticas sobre o salário como procuradora e pela repercussão de uma fala sobre laqueadura.
Na reta final, os vices Carlos Costa e Priscila Krause também entraram nos embates, além de acusações sobre estruturas de ataques nas redes sociais.
Apesar da disputa acirrada, as propostas tiveram espaço na campanha. Campos prometeu, entre outras medidas, quatro hospitais, isenção de IPVA para motos de até 180 cilindradas e o Pé-de-Meia Pernambuco. Raquel destacou o Arco Metropolitano, prontuário eletrônico, o Palafita Zero e a ampliação do Mães de Pernambuco.
O cenário mudou ao longo da campanha: João Campos começou com ampla vantagem nas pesquisas, mas Raquel Lyra cresceu e chegou à reta final em empate técnico. O apoio de Lula também foi pesou na disputa. Enquanto Campos reforçou a proximidade com o presidente, Raquel adotou uma postura de independência, sem declarar voto para presidente, e passou a ser associada ao chamado “voto Luquel”.
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