(Foto: Reprodução) Raquel Lyra (PSD) é reeleita governadora de Pernambuco
Raquel Lyra (PSD) foi reeleita, neste domingo (4), governadora de Pernambuco (veja vídeo acima). Ela teve 53,27% dos votos válidos, o que equivale a 2.805.438 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vice-governadora reeleita é Priscila Krause (PSD).
Primeira mulher eleita governadora da história de Pernambuco, Raquel Lyra também se torna a primeira governadora reeleita do estado. Ela votou em Caruaru, no Agreste do estado, por volta das 9h40, acompanhada dos dois filhos.
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Segundo colocado, João Campos (PSB) teve 44,82% dos votos válidos, o que equivale a 2.360.469 votos. Essa é a primeira derrota eleitoral da carreira dele, que foi eleito deputado federal com votação recorde em 2018 e venceu duas vezes a disputa pela prefeitura do Recife, em 2020 e 2024, quando foi reeleito.
Raquel Lyra foi matematicamente eleita às 20h56, com 96,25% das seções apuradas. Ela tinha 53,21% dos votos válidos e João Campos, 44,84%.
Ela é quarta governadora a ser reeleita na história do Brasil, após Roseana Sarney, do Maranhão, em 1998; Wilma de Faria, no Rio Grande do Norte, em 2006; e Fátima Bezerra, também do Rio Grande do Norte, em 2022.
Veja como foi a apuração em Pernambuco
Em seu primeiro discurso após a reeleição, Raquel Lyra afirmou que "Pernambuco decidiu que a gente merece continuar". Ela também agradeceu aos pernambucanos pela votação.
"Eu quero que minhas primeiras palavras sejam de gratidão. Gratidão pelos pernambucanos que decidiram que valia a pena seguir com uma mulher do interior que busca todos os dias trabalhar para representar todas as mulheres e fazer o governo chegar aonde nenhum governo chegou. Quero aqui agradecer, porque a gente trabalhou de maneira incansável nesses três anos e dez meses. A campanha foi apenas um momento a mais. Trabalhar para que as pessoas possam ser mais felizes onde vivem e a gente avançou”, disse a governadora reeleita.
Como foi a disputa
Raquel Lyra (PSD) após ser reeleita governadora de Pernambuco
Reprodução/TV Globo
O equilíbrio entre dois candidatos na liderança das pesquisas e embates sobre formas de governar deram o tom da eleição. Após uma disputa pulverizada entre cinco candidaturas competitivas em 2022, o 1º turno de 2026 foi polarizado entre Raquel Lyra e João Campos desde o início. Em todas as pesquisas, os dois candidatos somavam a quase totalidade dos votos, o que deu "ares" de 2º turno ao pleito.
Os dois adversários são filhos de ex-governadores. João Campos é filho de Eduardo Campos, que governou o estado entre 2007 e 2014 tendo João Lyra Neto, pai de Raquel Lyra, como vice.
O confronto entre os dois candidatos foi marcado principalmente pela comparação entre as gestões que haviam comandado. Segurança, obras, saúde, políticas sociais, serviços públicos, infraestrutura e capacidade administrativa estiveram entre os temas presentes nos debates e na propaganda eleitoral. Por outro lado, as demais candidaturas tiveram dificuldade para romper essa polarização.
As acusações entre João Campos e Raquel Lyra também dominaram parte da campanha. Um dos episódios mais explorados contra o candidato do PSB foi o caso que seus adversários passaram a chamar de “fura-fila”, relacionado à alteração do resultado de um concurso da prefeitura do Recife para, supostamente, beneficiar o filho de um juiz que arquivou uma investigação contra a gestão dele. O caso ensejou um pedido de impeachment contra Campos, mas a proposta foi barrada pela Câmara Municipal. Ele ele negou favorecimento, afirmando que a nomeação foi tratada de forma técnica.
Raquel Lyra, por sua vez, foi alvo de críticas relacionadas ao salário recebido como procuradora do estado, cargo do qual é concursada. João Campos passou a usar a expressão “Fura-teto” para questionar os valores recebidos pela governadora, que negou irregularidades. Outro episódio envolvendo a candidata foi a repercussão de um vídeo gravado em 2025, no qual ela aparece falando sobre a realização de uma laqueadura em uma mulher "sem ela saber". Raquel pediu desculpas publicamente, e o episódio foi incorporado à campanha de seus adversários.
Na reta final, os candidatos também exploraram questões envolvendo seus grupos políticos. Os vices Carlos Costa, na chapa de João Campos, e Priscila Krause, vice de Raquel Lyra, foram citados em embates entre os dois candidatos.
Raquel Lyra questionou Campos sobre uma citação a Carlos Costa em mensagens investigadas pela Polícia Federal no Caso Master. No material, o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, fala sobre repasses financeiros ao vice da chapa de João Campos.
Do outro lado, João Campos explorou uma auditoria federal sobre uma unidade de saúde administrada pelo marido de Priscila Krause. Segundo ele, uma denúncia apontou que a vice teria destinado verbas para a unidade.
Além da disputa judicial, a campanha teve acusações envolvendo supostos “gabinetes do ódio” e estruturas de ataques políticos nas redes sociais.
As propostas também tiveram papel central na campanha. João Campos apresentou projetos como a construção de quatro hospitais, incluindo uma unidade de 900 leitos no Recife, além de propostas para zerar o IPVA de motos de até 180 cilindradas e criar o Pé-de-Meia Pernambuco.
Raquel Lyra colocou entre suas principais promessas a conclusão do Arco Metropolitano, a implantação de prontuário eletrônico na saúde, o programa Palafita Zero e a ampliação do programa Mães de Pernambuco.
Outros candidatos apresentaram propostas como Passe Livre, ampliação da Universidade de Pernambuco (UPE), salário mínimo estadual e ações voltadas à saúde preventiva.
A campanha também foi marcada pela disputa em torno de temas ligados às mulheres. A ampliação do funcionamento das Delegacias da Mulher para 24 horas apareceu como promessa de diferentes candidaturas. João Campos propôs ampliar o número de unidades, enquanto Raquel Lyra prometeu manter todas as Delegacias da Mulher abertas 24 horas e criar salas especializadas.
Mais de um ano antes da eleição, pesquisa Datafolha apontava João Campos na liderança na disputa pelo governo com 56% das intenções de voto contra 28% de Raquel Lyra. A partir de 2026, o confronto se acirrou e a popularidade da governadora cresceu. Em maio, o Datafolha apontou virada em favor de Raquel, que viu a vantagem se reduzir na reta final e a eleição empatar.
O apoio do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, também teve destaque na eleição. Com apoio de lideranças políticas da direita, Raquel Lyra manteve boa relação institucional e citou "gratidão" ao governante petista, que apoiou João Campos.
Raquel não declarou seu voto para presidente, não apoiando nem seu correligionário Ronaldo Caiado (PSD), se apresentando como "pernambuquista". Apesar disso, eleitores e aliados da candidata criaram o termo "voto Luquel", sugestionando o voto em Lula para presidente e Raquel para governadora. Já João Campos reforçou a ligação com o presidente, utilizando a expressão "time de Lula" e relembrando a boa relação do petista com seu pai quando este era governador do estado.
Perfil da governadora reeleita
Ex-prefeita de Caruaru, no Agreste, Raquel Teixeira Lyra Lucena, de 47 anos, é advogada e política. Nasceu no Recife e é filha do ex-governador João Lyra Neto, que assumiu o governo em 2014, após a renúncia de Eduardo Campos (PSB), que morreu durante a campanha à Presidência. A governadora é a única das três filhas de João Lyra Neto e Mércia Lyra a entrar na política.
Viúva, Raquel Lyra perdeu seu marido, o empresário Fernando Lucena, no dia das eleições de primeiro turno de 2022, quando era candidata a governadora. Ele teve um mal súbito e chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O casal teve dois filhos, João e Fernando, que têm 16 e 14 anos.
Raquel Lyra é formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Já trabalhou como advogada do Banco do Nordeste e, em 2002, assumiu o cargo concursado de delegada da Polícia Federal, onde permaneceu até 2005.
Ela renunciou após passar no concurso para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), cargo que ocupa atualmente, mas do qual está licenciada há quase 20 anos. Durante a gestão de Eduardo Campos, Raquel Lyra foi chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo, entre 2007 e 2010.
Foi eleita deputada estadual em 2010, pelo PSB, mas licenciou-se para assumir a Secretaria da Criança e da Juventude no segundo mandato de Eduardo Campos. Em 2014, foi reeleita deputada estadual com a terceira maior votação do estado.
Na Assembleia Legislativa, presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, foi vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente e membra titular da Comissão de Negócios Municipais e suplente da Comissão de Ética.
Saiu do PSB em março de 2016, para se candidatar à prefeitura de Caruaru, no Agreste, pelo PSDB. Foi eleita em segundo turno, com 93.803, o que corresponde a 53,15% dos votos válidos, e se tornou a primeira mulher a assumir o cargo na cidade. Em 2020, foi reeleita em primeiro turno, com 114.466 votos, ou 66,86% dos votos válidos.
Em 2022, deixou a prefeitura para disputar o governo de Pernambuco. Terminou o primeiro turno na segunda colocação e, no segundo turno, derrotou Marília Arraes (então no Solidariedade), tornando-se a primeira mulher eleita governadora do estado.
Em março de 2025, ela deixou o PSDB e filiou-se ao PSD, legenda pela qual venceu a reeleição.
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