Progresso assume linhas de ônibus da empresa do pai da governadora Raquel Lyra
24/01/2026
(Foto: Reprodução) Empresa de ônibus Progresso irá assumir linhas da Logo Caruaruense
Reprodução
A Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) informou que a empresa Auto Viação Progresso assumiu neste sábado (24) as quatro linhas que eram administradas pela Logo Caruaruense, emprego do pai da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-governador João Lyra (PSD).
A empresa encerrou as atividades após denúncias de irregularidades que apontavam que os veículos circulavam com vistorias e licenças vencidas.
✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp
Segundo o comunicado da EPTI, o Termo de Autorização e Compromisso será assinado pela empresa e a Progresso assume as seguintes linhas:
Recife/Caruaru – Executivo e convencional;
Caruaru/Santa Cruz do Capibaribe;
Caruaru/Bezerros;
Caruaru/São Caetano.
De acordo com um relatório de débitos feito pela EPTI, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Habitação (Seduh), a Logo Caruaruense opera viagens intermunicipais e possuía 50 veículos. Nenhum deles passou pelas averiguações necessárias nos últimos anos, e alguns estão com as licenças vencidas desde 2021.
Irregularidades da Logo Caruaruense
Sede da empresa Logo Caruaruense
Reprodução/Instagram
As irregularidades envolvendo a Logo Caruaruense constam de um relatório interno da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). Conforme o documento, a rodoviária funcionava com vistorias vencidas e estava sem o Certificado de Registro Cadastral (CRC), que não era pago pelo menos desde 2020.
Conforme o relatório, desde 2022, nenhum dos 50 ônibus que compõem a frota da Logo Caruaruense passou pelas vistorias necessárias e alguns coletivos estavam com as licenças vencidas desde 2021. Diante da repercussão do caso, a governadora Raquel Lyra anunciou o encerramento das atividades da empresa (veja vídeo abaixo).
Raquel Lyra diz que empresa de ônibus do pai dela vai encerrar atividades
Sob sigilo de fonte, o g1 conversou com funcionários da EPTI, que contaram que 2022 foi o último ano em que foram feitas vistorias nos ônibus da Caruaruense. Eles disseram, ainda, que os coletivos da empresa não são parados nas fiscalizações realizadas nas rodovias e terminais.
"Existe uma ordem não dita que não se pode fiscalizar a Logo Caruaruense. Não é nada por escrito, mas sabemos que vem lá de cima. Essas fiscalizações são feitas para proteger a população, e veem itens como pneus, cinto de segurança e ano do veículo", afirmou uma das fontes.
Outro funcionário contou que as vistorias costumam ser feitas na sede da EPTI ou nas sedes das empresas, em outras cidades, como o caso da Caruaruense.
"Na vistoria, os ônibus recebem um cartão amarelo que identifica todos eles, mas esse cartão é válido por um determinado tempo. Se ele for parado numa fiscalização e não tiver o cartão, paga uma multa de R$ 2,9 mil. Todos os carros da Caruaruense estão com esse cartão vencido, mas eles não são pegos, porque ninguém pode fiscalizar", disse.
Pedido de impeachment
Diante da repercussão sobre as irregularidades após as denúncias contra a Logo Caruaruense, a governadora Raquel Lyra foi alvo de um pedido de impeachment. O pedido foi protocolado na segunda-feira (19) pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil).
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) informou que a Mesa Diretora recebeu, formalmente, o documento. O g1 entrou em contato com o governo do estado, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
O pedido de impeachment apresentado por Romero Albuquerque aponta possíveis indícios de crime de responsabilidade por parte da governadora do estado. No documento, o deputado cita que, além de operar de forma irregular, a Logo Caruaruense foi contratada sem licitação pela gestão estadual.